PESQUISAS
VIA INTERNET E ENQUETES,
SUAS VERDADES E MENTIRAS
A
Internet é um meio rápido e barato de se fazer "pesquisa",
mas que tipo de "pesquisa" dá para se fazer?
E
que tipo de representatividade se espera deste tipo de
levantamento?
Primordialmente,
devemos levar em conta três aspectos que envolvem as pesquisas
e enquetes na Internet:
-
Os internautas
podem ser subdivididos em grupos, com diferentes hábitos
de navegação, freqüentando diferentes sites no imenso
oceano da web. É o que chamamos de comunidades virtuais,
difíceis de serem delimitadas e portanto, mais ainda
de serem representadas por meio de amostras;
-
Por
fim, o processo de amostragem da maioria das enquetes
na Internet caracteriza-se pela resposta voluntária,
ou seja, responde quem quer.
Assim,
o pesquisador controla muito pouco o processo de composição
da amostra, para estar seguro sobre o quão adequadamente
ela representa este universo pouco definido.
Podemos
traçar um paralelo interessante entre Internet hoje no
Brasil e o telefone nos E.U.A. em meados da década de
30. Um caso clássico é o do jornal Liberaty Digest, que
realizou um levantamento de intenção de votos, onde foram
entrevistados cerca de dois milhões de pessoas (número
muito maior do que necessário). A pesquisa apontou vitória
para Alfred Landon, quando na realidade Franklin Rooselvet
venceu as eleições presidenciais americanas por ampla
margem.
O
problema é que a amostra do Digest foi tirada de listas
telefônicas, entre outras fontes. As pessoas que tinham
telefone não representavam adequadamente a população eleitora
como um todo. Se uma amostra não é extraída aleatoriamente,
não há como se prever o quanto os dados obtidos através
dela se afastarão da realidade.
Outra
questão é que, como em toda a pesquisa com amostra de
resposta voluntária, seja via Internet, seja por mala-direta,
é necessário compreender que os mais aficionados pelo
tema da pesquisa ou que os mais mobilizados, satisfeitos
ou insatisfeitos, tendem a se "eleger" com muito mais
facilidade como respondentes do que uma maioria de acomodados
ou indiferentes, muitas vezes detentores de importantes
informações para a pesquisa.
Na
maioria das enquetes realizadas na Internet, devemos assumir
que estamos tratando de uma amostra muito específica,
representada por internautas que acessaram aquele site,
naquele período e se elegeram para responder as questões,
o que contraria a teoria de amostras aleatórias, onde
todos os indivíduos têm igual chance de figurar na amostra.
Por
outro lado, entendemos que pesquisa de mercado, com todos
os cuidados que requer, não é a única fonte de informação.
Experiência, intuição e principalmente bom senso auxiliam
muito no processo de tomada de decisão, mas são mais sujeitas
a erros.
Assim,
temos que analisar com critério os resultados de enquetes,
pois representam apenas uma pista das opiniões de um determinado
público e não esquecer que pode ser uma pista falsa ou
incompleta daquilo que desejamos conhecer.
O
fundamental é que haja transparência por parte dos responsáveis
pela coleta e divulgação das informações, esclarecendo
as limitações das ferramentas disponíveis e estabelecendo
os limites do que é tecnicamente aceitável.